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História da cerâmica chinesa: Tudo o que você precisa saber

A história da cerâmica chinesa é uma das mais ricas e antigas do mundo, remontando a milhares de anos. Desde a era neolítica, as técnicas de produção cerâmica se desenvolveram de forma contínua, culminando na criação da famosa porcelana, que se tornou um dos itens mais exportados da China para o Ocidente.

Neste artigo, iremos viajar em uma jornada de descoberta da cerâmica chinesa, conhecendo suas origens e sua evolução até a era moderna, destacando suas principais inovações e o impacto cultural dessa arte milenar.

As origens da cerâmica chinesa

A história da cerâmica na China começou por volta de 20.000 anos atrás, durante o período Neolítico. Esse fato torna as cerâmicas chinesas uma das cerâmicas mais antigas do mundo. Naquela época, as comunidades agrícolas começaram a moldar vasos de barro para armazenar alimentos e líquidos. Essas primeiras peças de cerâmica artesanal eram simples e sem grandes detalhes, apesar disso, se tornaram o início de uma tradição milenar.

cerâmica chinesa de aproximadamente 20.000 anos atrás
Cerâmica chinesa de aproximadamente 20.000 anos atrás

Com o passar dos séculos, a produção de cerâmica chinesa foi sendo aprimorada, passando por gerações e milhares de anos de técnica, conhecimento e tradição. Durante a Dinastia Shang (1600-1046 a.C.), por exemplo, as técnicas de queima avançaram. Esse avanço técnico permitiu a criação da cerâmica vidrada, uma inovação que trouxe durabilidade às peças.

Principais marcos da cerâmica chinesa:

  1. Neolítico: Primeiros vasos de barro simples e utilitários.
  2. Dinastia Shang: Introdução de esmaltes e técnicas de queima avançada.
  3. Dinastia Han: Desenvolvimento de estilos decorativos mais elaborados.
  4. Dinastia Tang: Surgimento das primeiras porcelanas.
  5. Dinastia Ming: Apogeu da porcelana, especialmente a famosa porcelana azul e branca.

Cerâmica da Dinastia Shang: O avanço das técnicas chinesas

A Dinastia Shang (1600-1046 a.C.) marcou um período de grande avanço para a cerâmica chinesa, pois artesãos desenvolveram técnicas de queima em alta temperatura e introduziram os primeiros esmaltes. Além disso, esse processo trouxe mudanças importantes para a produção cerâmica da época. Ao mesmo tempo, a dinastia ficou conhecida como a era do bronze, devido ao grande domínio da metalurgia. Ainda assim, os artesãos da Dinastia Shang também aprimoraram de forma significativa as técnicas de queima da cerâmica. Dessa forma, esse período consolidou bases técnicas que influenciaram gerações posteriores de ceramistas chineses.

Boa parte do que sabemos hoje em dia faz parte de histórias contadas dos sucessores da Dinastia Shang que viveram na Dinastia Zhou. No entanto, o chamado Jiaguwen (甲骨文) foi uma primitiva escrita chinesa descoberta por acaso em 1899 por Wang Yirong, um imperador oficial da Dinastia Qing.

Ding 鼎 (Vaso ritualístico) da Dinastia Shang, Imagem do museu da província de Zhejiang, em Hangzhou.
Ding 鼎 (Vaso ritualístico) da Dinastia Shang, Imagem do museu da província de Zhejiang, em Hangzhou.
Jiaguwen 甲骨文 da Dinastia Shang, um tipo ancestral de ideograma chines, gravado no casco de uma tartaruga.
Jiaguwen 甲骨文 da Dinastia Shang, um tipo ancestral de ideograma chines, gravado no casco de uma tartaruga.

Cerâmica da Dinastia Han: O início da cerâmica decorativa

A Dinastia Han (202 a.C. – 220 d.C.) é conhecida por ser um período de grande avanço artístico. Foi neste momento em que os chineses desenvolveram técnicas de vitrificar a cerâmica, tornando as peças impermeáveis e também mais refinadas, artisticamente falando.

exército de terracota
exército de terracota

Na Dinastia Han, o Ding 鼎 ainda era muito valorizado e utilizado culturalmente, apesar disso, o maior feito da Dinastia Han, foi o exército de terracota do imperador Qin Shi Huang, descoberto em 1974 por agricultores locais do Distrito de Lintong, em Xian, na província de Shaanxi. Este local também é conhecido por ser o ponto central da antiga roda da seda.

O exército de terracota foi idealizado pelo próprio imperador, que buscava proteção na vida após a morte, e além dos soldados, também foram criados cavalos e carruagens, tudo isso manualmente a partir da argila.

Existem mais de 7 mil soldados de terracota que foram produzidos ao longo de 40 anos. Além disso, o conjunto também inclui cavalos e carruagens. No entanto, estudiosos estimam que ainda existem pelo menos mais 6 mil figuras enterradas.

Soldado do exercito de terracota
Soldado do exercito de terracota

Uma curiosidade é que o túmulo do imperador Qin nunca foi aberto por conta dos altos níveis de mercúrio, e o mesmo segue protegido pelos seus soldados, o que dificulta a escavação dos arqueólogos – então, pode-se dizer que seu feito deu certo, mesmo após 2.000 anos!

Cerâmica da Dinastia Tang: O surgimento da porcelana

A Dinastia Tang (618-907 d.C.) foi um dos períodos mais importantes para a evolução da cerâmica chinesa com o surgimento da porcelana e da técnicas de decoração.

Foi nesse momento que as cerâmicas chinesas se tornaram além de utilitários, alcançando a posição de obra de arte. Parte das características da cerâmica da Dinastia Tang é a delicadeza das peças e riqueza em detalhes.

Cavalo de Cerâmica da Dinastia Tang
Cavalo de Cerâmica da Dinastia Tang

Uma das peças mais icônicas da Dinastia Tang é o Cavalo de Cerâmica Tang, uma escultura vívida e elegante que retrata cavalos, considerados símbolos de poder e prestígio. Essa peça é altamente valorizada tanto pela sua beleza quanto pelo seu significado histórico.

Atualmente, essa peça se encontra no museu de Arte de Cincinnati, em Ohio, EUA, com um estudo completo publicado na Heritage Science.

Cerâmica da Dinastia Ming: O auge da porcelana chinesa

A Dinastia Ming (1368-1644 d.C.) marca o apogeu da porcelana chinesa, especialmente com a produção das famosas porcelanas azul e branca. Esse período também foi notável pela padronização da produção em massa para exportação.

tigela da Dinastia Ming
tigela da Dinastia Ming

Entre as peças mais célebres dessa dinastia está o a tigela da Dinastia Ming Azul e Branco, que se tornou a porcelana chinesa mais cara leiloada até hoje, vendida por US$ 36,05 milhões (cerca de R$ 80 milhões) em Hong Kong, anunciada pela casa de leilões Sotheby’s, quebrando o recorde de porcelana chinesa mais cara.

Até os tempos atuais a Dinastia Ming é conhecida pela exportação da porcelana chinesa para a Europa, e hoje pode ser encontrada em diversos países. Esse período foi o responsável por popularizar o estereótipo de cerâmica chinesa com tinta azul sobre a porcelana branca, que até hoje é replicada por inúmeras fábricas de louça por todo o mundo.

A China é muito mais do que um simples país, é um império milenar que carrega consigo uma imensa carga de tradição, conhecimento e história. Com milhares de anos de evolução, a cerâmica chinesa continua a influenciar o mundo da arte até os dias atuais, e, investir em uma peça de cerâmica artesanal chinesa é apreciar séculos de tradição e beleza, perpetuando uma arte que atravessou gerações e fronteiras

Por quê porcelana e cerâmica chinesa é tão cara?

A porcelana chinesa possui valor elevado por razões históricas, técnicas e comerciais. Durante séculos, a China dominou quase exclusivamente o conhecimento para produzir porcelana de alta qualidade. Esse domínio começou a se consolidar nas dinastias Tang e Song e atingiu grande prestígio durante a Dinastia Ming. Como o processo de produção exigia matérias-primas específicas, como o caulim, e fornos capazes de atingir temperaturas muito altas, poucas regiões do mundo conseguiam reproduzir a mesma qualidade.

Além disso, a porcelana chinesa se tornou um produto de grande valor econômico no comércio internacional. A partir da Rota da Seda e, posteriormente, com o comércio marítimo entre a Ásia e a Europa, essas peças passaram a ser exportadas em grande escala. Na Europa, onde a técnica de fabricação ainda era desconhecida até o século XVIII, a porcelana era considerada um item de luxo e chegou a ser chamada de “ouro branco”. A alta demanda somada à oferta limitada fez com que os preços dessas peças aumentassem consideravelmente.

Outro fator que contribui para o alto valor da porcelana chinesa é o seu valor artístico e cultural. Muitas peças antigas foram produzidas manualmente, com decoração detalhada e grande domínio técnico. Além disso, peças associadas a determinadas dinastias ou produzidas em oficinas imperiais possuem grande relevância histórica. Por esse motivo, exemplares bem preservados podem alcançar valores muito altos em leilões e coleções privadas ao redor do mundo.

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